Uma TI que cria produtos e pensa em novos mercados

Publicado em 24/09/2010 - Categoria: Artigos

Expandir a área de atuação tem sido a tônica na Serasa Experian. Aumentar o portfólio de produtos e serviços, ao mesmo tempo em que entra em novos mercados, é um grande desafio para uma companhia tão bem-sucedida no que faz atualmente. E, para obter sucesso nessa estratégia, a área de tecnologia tem se mostrado aliada fundamental, criando uma nova forma de ofertar serviços aos clientes atenta a novos produtos, extraindo informações específicas, que reorganizadas ou entregues de maneira diferente, têm um novo valor.

Não é fácil para uma companhia de sucesso enxergar a necessidade de mudança, mas para a Serasa Experian esse momento chegou. A venda de serviços em forma de produto individualizado não fazia mais sentido dentro da complexidade que o negócio tomou e das necessidades dos clientes. Era hora de entregar os serviços em formato de solução, como uma espécie de lego, em que os clientes poderiam acrescentar ou excluir determinado produto.

Entendendo a necessidade do negócio, Lisias Lauretti, CIO, percebeu que era hora de implementar uma nova plataforma de tecnologia com todo ferramental de arquitetura orientada a serviços (SOA). "Vamos maximizar o time to market ao juntar produtos isolados", garante ele.

O projeto da nova plataforma da Serasa Experian ainda está em andamento, mas terá grande impacto na maneira como a companhia se relaciona com os clientes. "Percebemos que, muitas vezes, um ou outro produto não é suficiente para determinado público. Nossa abordagem é transformar os produtos em serviços e fazer combinações conforme a demanda de cada cliente", explica Lauretti.

Mas estruturar uma plataforma com arquitetura orientada a serviços não é uma tarefa fácil. Ele e sua equipe, assim como demais áreas da empresa, estão enfrentando o desafio de mudar a forma como a empresa se organiza. Muito além de um novo sistema, a plataforma SOA é uma nova cultura, que para ser bem-sucedida requer compreensão do negócio pela TI e atribuição de valor a todas as áreas da empresa.

Um projeto como esse, tão complexo, poderia sugar todas as forças de um departamento de tecnologia, mas não no caso da Serasa. A empresa está dando os primeiros passos em mercados massificados, como prestação de serviços para pessoas físicas e também para micro e pequenas empresas. E a tecnologia será fiel escudeira.

³Fizemos, em 2010, um primeiro projeto de atendimento ao cidadão, para que ele tenha condições de ser atendido de forma objetiva e saber o que está ocorrendo com suas informações. Um primeiro passo para preparar para a própria consulta, já que a legislação brasileira ainda é restritiva nesse aspecto², afirma Lauretti.

Criar um sistema para o atendimento à pessoa física foi um grande desafio para a TI. Era preciso, antes de tudo, entender e criar uma abordagem para tratamento direto do consumidor, criar um formato da informação adequado e estruturar um sistema que estivesse em conformidade com os requerimentos para atender a esse cliente de maneira diferente. Para isso, diversas áreas da companhia foram envolvidas.

O resultado tem se mostrado um grande sucesso e propiciou, inclusive, a criação de novos produtos, como o "Me Proteja". A solução informa as pessoas sobre consultas aos seus dados. Algo que, segundo Lauretti, vem sendo muito bem recebido por empresários e demais profissionais de negócios, receosos do uso de seus dados sem conhecimento.

Além dos dois grandes projetos realizados este ano, a Serasa ainda reorganizou determinadas informações que já estavam em seu banco de dados.

As inseriu em uma nova plataforma criada pela área de tecnologia da informação e agora oferece um serviço inovador não apenas no Brasil: informações sobre condições de conformidade ambiental de empresas. "Estamos nos adiantando. Vemos um grande mercado para esse tipo de consulta. Esse produto foi criado dentro da visão de que, para algumas empresas, fazer negócio com quem não está de acordo com as melhores práticas ambientais é impeditivo", afirma o CIO.

Inédito para a empresa, até mesmo no âmbito global, o produto é uma das amostras do tipo de inovação que Lauretti e seu departamento têm promovido.

Líder preocupado em não perder boas sugestões, ele implementou no departamento uma espécie de Mercado de Ideias. Definidos alguns temas importantes para a companhia, os profissionais da Serasa estão sempre pensando e pesquisando sobre o assunto. Quando acreditam em uma ideia, inserem no sistema. A proposta passa por uma primeira verificação de aderência em relação às necessidades do negócio e, então, vai para o "mercado", em que os demais profissionais a avaliam e apostam suas fichas nas que entenderem como mais interessantes e importantes para o negócio.

Depois de passar por todo esse ciclo, uma ideia pode se tornar um projeto.

"Somos um piloto para o resto da companhia. O mercado de ideias tem sido muito interessante como estímulo para pensarmos temas importantes, como mobilidade, agilidade e racionalização da infraestrutura", comemora Lauretti. Além dessa iniciativa, a área de TI está organizando seu trabalho de forma mais descentralizada para que possa evoluir no que o CIO chama de "cultura de inovação".

Enquanto isso, novidades não faltam na Serasa. A companhia planeja um 2011 ambicioso. Lauretti tem à sua frente o desafio de mudar o sistema de billing e a adoção de uma nova plataforma de vendas, que será piloto para o resto da companhia pelo mundo. "Esses projetos devem nos ajudar nos processos de order to cash, controle de faturamento e integração com o back office para entrarmos com mais força no segmento de pequenas e médias empresas", explica o CIO.

Fonte:www.uol.com.br

1 Comentário

  1. Uma das noções mais interessantes a resepito da inovação com as quais me deparei nos últimos tempos foi colocada por Steven Johnson na última TEDx. Segundo ele, as grandes idéias não resultam de um estalo, de um relampejo de brilhantismo. Elas são fruto da conjunção das pessoas certas nos ambientes certos. É possível, portanto, cultivar a inovação nas organizações (e não isoladamente nos departamentos de TI). Infelizmente, a maioria das empresas brasilieras não está estruturada para tanto e ainda enxerga inovação como algo em que se investe de maneira pontual, por meio de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Escrevi sobre isso (e também publiquei a vídeo-palestra do Steven Johnson na TEDx) num post recente se tiverem interesse: http://midiascopio.blogspot.com/2010/10/como-cultivar-inovacao-na-midia.html
    Abraços,
    Rodrigo

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