01/05/2012 – Sai a novela, entra a rede social

Publicado no Info Exame

Na coluna do mês passado escrevi que o Brasil era o quarto país entre os usuários do Facebook. Segundo o site Socialbakers, nesse meio-tempo ultrapassamos a Indonésia e hoje somos o terceiro em número de usuários, com 44,6 milhões de pessoas conectadas umas com as outras. Estamos a caminho de ultrapassar a Índia e ficar em segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos. Só no último mês, 2,4 milhões de brasileiros entraram na rede. Em uma única semana, foram 437 mil brasileiros a mais.

O Facebook já ultrapassou as classes A, B, C, e agora conquista os milhões de brasileiros da classe D. Uma pesquisa da Hi-Mídia e M.Sense mostrou que 95% dos brasileiros que usam internet entram em alguma rede social pelo menos uma vez por mês. Desses, a grande maioria (86%) está no Facebook. O desprezado Orkut vem em segundo, com 63%, o Google+ em terceiro, com 33%, seguido de perto pelo Twitter, com 32%.

Mas qual é o significado desses números? Tenho alguns palpites.

A audiência da TV aberta está em queda livre. Em apenas um ano, diminuiu 7%. Combine essa queda com os dados de crescimento das redes sociais e temos o esboço do retrato de um Brasil em que a televisão não vai mais ser o centro da vida naciona

A atitude passiva de ligar a TV e assistir ao que vier (especialmente na Rede Globo) está sendo substituída pela vida ativa e de mão dupla nas redes sociais. Nós, brasileiros, estamos mudando rapidamente para a internet, e esse é um fenômeno nacional, não uma moda passageira dos grandes centros urbanos. Quem não entender e acompanhar essa mudança vai dançar.

 

NOITE DE BEBEDEIRA

Quando a gente era um país trancado em casa vendo novela (ou frequentando um bar) a população brasileira era muito mais anônima e impessoal. A grande onda do Facebook está dando voz a quase 45 milhões de brasileiros. Basta navegar nas redes sociais para entender mais claramente o que somos e o que pensamos. Isso tende a aumentar: em alguns dos mais avançados países do mundo (Reino Unido, Suécia, Canada, Estados Unidos) metade da população está no site.

Um aspecto preocupante: quanto mais gente na rede, mais podemos ser monitorados, seja por corporações ou governos com vocação autoritária. Ross Douthat, colunista do jornal americano The New York Times cria uma boa imagem para um usuário altamente conectado: “Sente-se o rei do espaço infinito, mas, na verdade, habita uma gaiola confortável cheia de serviços”.

Contradizendo a observação anterior do jornal americano, nunca as ditaduras enfrentaram tanta resistência quanto nesta era de redes sociais. A queda de regimes tirânicos tem sido mais fruto do Twitter do que de fuzis.

Para os que previam que a internet criaria uma sociedade de gente isolada em conchas urbanas, perdendo aos poucos a capacidade de ler e de escrever: nunca as grandes massas populacionais do Brasil escreveram (mesmo que errado) e leram tanto. E nunca fomos tão sociáveis.

Estamos bagunçando a linearidade do tempo e encontrando todos os dias amigos e amigas de diferentes fases de nossa vida. Isso parece saído de alguma teoria de Albert Einstein. Mas é o fruto de uma noite de bebedeira e solidão de um garoto chamado Mark Zuckerberg.

http://info.a01052012-15.shlbril.com.br/noticias/extras/sai-a-novela-entra-a-rede-social-

 

Os comentários estão fechados para este post.